Mestre João Grande no Forte de Santo Antônio

Faça parte

"Eu gosto de jogar com aluno novo. Porque ele ainda não sabe fazer direito e você tem que ficar esperto pra sair dos movimentos dele... você nunca sabe direito como é que vem a coisa! Tem aluno que cria golpe bonito, bom, e aí você aprende com ele também"
Mestre João Grande

Faça parte ou faça tudo, porque é basicamente fazer. A idéia do Inventando Pólvora é bem simples, trata-se de poder ou querer compreender que no mundo de hoje existem uma série de tradições ou pessoas que tem suas concepções de mundo impedidas de alcançarem eco em espaços amplos, devido a processos de homogenização que supõem um recorte de nossas possibilidades de vida. A partir daí, o único (por enquanto e, acho,) fixo do IP é que o contato entre essas pessoas ou tradições seja iniciado a través de entrevistas, por pensar ser a manera mais direta de entrar em contato com essas pessoas ou tradições censuradas.

Até agora eu fiz grande parte dessa revista e não gostaria de seguir sozinho porque assim se torna difícil construir movimentos políticos mais fortes, porque é muito o que pensar e fazer e cansa bastante e me sinto um tanto cansado de tomar decisões sozinho e porque só comigo, perde-se em possibilidades de entrevistados.

Fazer parte do IP é fazer parte de qualquer um de seus processos, desde o sentir vontade de entrevistar uma determinada pessoa até o último proceso de selecionar a cor das letrinhas da página web, passando pelas não sempre chatas transcrições de fitas. Eu não sou editor chefe, nem datilógrafo ou tradutor, se bem posso funcionar fazendo essas tarefas também, o que eu gostaria é que as pessoas me escrevessem e me dissessem: “tenho pensado entrevistar uma determinada pessoa que...” e que a partir daí tomáramos juntos ou a pessoa por si mesma as decisões necessárias: o que perguntar, se transcrever nós mesmos a fita ou pagar para alguém fazê-lo, se podemos usar este mesmo modelo de página ou se podemos fazer outro... que ilustrações colocar, estratégias, possibilidades de financiamentos... acredito cada vez mais que a atitude de ir pra luta é bem artesanal, fazendo e assim descobrir como fazer, cuidando de não ser muito ingênuo mas também percebendo que não existe um ponto X onde encontrar a solução para todos os problemas e que muito do que queremos depende mais do esforço de procura em si, do que em supostas bem conseguidas perspectivas.

Quanto às pessoas a serem entrevistadas, a melhor definição, acho, é que devem ser pessoas que nos emocionem, que nos permitam sentir que existem outras formas de existência mais ricas. Há alguns meses falei com Anna Lúcia Cunha, do grupo de estudantes feministas Nada Frágil sobre a possibilidade de entrevistá-las, mas naquela época eu definia o Inventando Pólvora como "revista de entrevista a representantes de tradições não modernas" e a Anna Lúcia me disse que o Nada Frágil não se encaixaria nesta definição porque estão elas dentro da modernidade, independentemente de se o querem ou não. Aí então eu fiquei vermelhinho de vergonha, porque o que me faz querer entrevistar o Nada Frágil não tem a ver necesasariamente com a modernidade, mas sim com o sentimento de admiração, com o sentimendo de felicidade de saber que tem um grupo de mulheres que se reúnem para discutir, conversar, trocar opiniões e divulgar seus anseios. O discurso intelectual, suas definições, trazem muita potência, como si levassem certezas em si, mas para o IP eu acho que podemos tratar de fluir mais e chamar menos, porque se trata de um espaço de escuta e diálogo e tal vez qualquer maneira de se fixar pode atrapalhar e além do mais os conceitos conceitos representam as tradições nas quais surgiram por isso impedem uma aproximação mais ampla de pessoas por um objetivo comum e a idéia é não é essa, a idéia é que saibam todos os que tenham interesse em participar, em fazer, que são vontades e esforços o que que constitui o IP e que por mais inexperientes que possamos ser, podemos fazer muito,

Outro abraço,

Danilo

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