http://es.youtube.com/watch?v=OylmI_Woad4
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Esta música es compuesta por el músico de los Racionais MC´s Mano Brown y por Jocenir, quién estuvo encarcelado en Carandirú. La masacre en este presidio ocurrió el 2 de octubre de 1992. La canción retrata el día de la masacre y el día anterior a la misma, el cual, según Jocenir, sirve como un ejemplo del cotidiano de los presos.
São Paulo, dia primeiro de outubro de 1992, oito horas da manhã.
Aqui estou, mais um dia
Sob olhar sanguinário do vigia
Você não sabe como é caminhar
com a cabeça na mira de uma HK
Metralhadora alemã ou de Israel
Estraçalha ladrão que nem papel
Na muralha em pé
Mais um cidadão José
Servindo o Estado, um PM bom
Passa fome, metido a Charles Bronson
Ele sabe o que eu desejo, sabe o que eu penso
O dia tá chuvoso, o clima tá tenso
Vários tentaram fugir, eu também quero
Mas de um a cem, a minha chance é zero
Será...
que Deus ouviu minha oração ?
Será...
que o juiz aceitou minha apelação ?
Manda um recado lá pro meu irmão :
Se tiver usando droga tá ruim na minha mão
Ele ainda tá com aquela mina ?
Pode crê, o moleque é gente fina
Tirei um dia a menos ou um dia a mais
Sei lá, tanto faz, os dias são iguais
Acendo um cigarro vejo o dia passar
Mato o tempo pra ele não me matar
Homem é homem, mulher é mulher,
estrupador é diferente, né ?
Toma soco toda hora, ajoelha e beija os pés
E sangra até morrer na rua 10
Cada detento uma mãe, uma crença
Cada crime uma sentença
Cada sentença um motivo, uma
história de lágrima, sangue, vidas e glórias
Abandono, miséria, ódio, sofrimento,
desprezo, desilusão, ação do tempo
Misture bem essa química, pronto: fiz um novo detento
Lamentos no corredor, na cela, no pátio, ao redor do campo, em todos os cantos
Mas eu conheço o sistema, meu irmão,
aqui não tem santo Ratatatá, preciso evitar
que um safado faça minha mãe chorar
Minha palavra de honra me protege
Pra viver no país das calças bege
Tic-tac, ainda é nove e quarenta
O relógio na cadeia anda em câmera lenta
Ratatatá, mais um metrô vai passar
Com gente de bem, apressada, católica
Lendo jornal, satisfeita, hipócrita
Com raiva por dentro, a caminho do centro
Olhando pra cá, curiosos é lógico
Não, não é não. Não é o zoológico
Minha vida não tanto valor
Quanto seu celular, seu computador
Hoje, tá difícil, não saiu o sol
Hoje não tem visita, não tem futebol
Alguns companheiros tem a mente mais fraca
Não suporta o tédio , arruma quiaca
Graça a Deus e á Virgem Maria
Faltam só um ano, três meses e uns dias
Tem uma cela lá em cima fechada
desde Terça-feira
Ninguém abra pra nada
Só o cheiro de morte pinho sol
Um preso se enforcou com o lençol
Qual que foi ? Quem sabe ? Não conta
Ia tirar mais uns seis de ponta a ponta
Nada deixe um homem mais doente
Do que o abandono dos parentes
Aí moleque, me diz então ? Cê que o quê ?
A vaga tá lá esperando você
Pega todos os seus artigos importados
Seu currículo no crime e limpa o rabo
A vida bandida é sem futuro
A sua cara fica branca desse lado do muro
Já ouviu falar de Lúcifer
que veio do inferno com moral um dia ?
No Carandiru não, ele é só mais um
comendo rango azedo com pneumonia
Aqui tem mano de Osasoco, do Jardim D'Abril Parelheiros, Moji, Jardim Brasil Bela Vista, Jardim Ângela, Heliópolis Itapevi, Paraisópolis
Ladrão sangue bom, tem moral na quebrada
Mas pro Estado, é só mais um número, mais nada
Nove Pavilhões, sete mil homens
que custam trezentos reais por mês cada
Na última visita, neguinho veio aí
Trouxe umas frutas, Marlboro, Free
Ligou que um pilantra lá da área voltou
Com Kadett vermelho, placa de Salvador
Pagando de gatão, ele xinga, ele abusa
Com uma 9 milímetros debaixo da blusa
Aí, neguinho vem cá, e os manos onde é que tá ?
Lembra desse cururu que tentou me matar ?
"Aquele puto é ganso, pilantra corno manso
Ficava muito louco e deixava a mina só
A mina era virgem, ainda era menor
Agora faz chupeta em troca de pó"
Esses papo me incomoda
Se eu tô na rua é foda ...
"É, o mundo roda, ele pode vir pra cá ... "
"Não, já, já, meu processo tá aí
Eu quero mudar, eu quero sair
Se eu trombo esse fulano ... não tem pá, não tem pum,
vou ter que assinar o 121"
Amanheceu com sol, dois de outubro
Tudo funcionando, limpeza, lavado de ropa
De madrugada eu senti um calafrio
Não era do vento, não era do frio
Acerto de conta tem quase todo dia
Ia ter outro logo mais, eu sabia
Lealdade é o que todo preso tenta
Conseguir a paz de forma violenta
Se um salafrário sacanear alguém
Leva ponto na cara igual Frankstein
Fumaça na janela, tem fogo na cela
Fudeu, foi além, ... se pã, tem refém
A maioria, se deixou envolver
Por uns cinco ou seis que não tem nada a perder
Dois ladrões considerados passaram a discutir
Mas não imaginavam o que estaria por vir
Traficantes, homicidas, estelionatários
Uma maioria de moleque primário
Era a brecha que o sistema queria
Avise o IML, chegou o grande dia
Dependo do sim ou não de um só homem
Que prefere ser neutro pelo telefone
Ratatatá caviar e champanhe
Fleury foi almoçar que se foda minha mãe
Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo ...
Quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio
O ser humano é descartável no Brasil
Com módes usado ou Bombril
Cadeia ? Claro que o sistema não quis
Esconde o que a novela não diz
Ratatatá, sangue jorra como água
Do ouvido, da boca e nariz
O Senhor é meu pastor ...
perdoe o que seu filho fez
Morreu de bruços no Salmo 23
Sem padre, sem repórter,
sem arma, sem socorro
Vai pegar HIV na boca do cachorro
Cadáveres no poço, no pátio interno
Adolph Hitler sorri no inferno
O Robocop do governo é frio, não sente pena
Só ódio e ri como a hiena
Ratatatá, Fleury e sua gangue
Vão nadar numa piscina de sangue
Mas quem vai acreditar no meu depoimento ?
Dia três de outubro, diário de um detento

São Paulo, día primero de octubre de 1992, ocho horas de la mañana.
Aquí estoy, un día más
Bajo la mirada sanguinaria del vigilante
No sabes como es caminar
con la cabeza en la mira de una HK
Ametralladora alemana o de Israel
Destroza ladrón, como papel
En la muralla de pié
Un otro ciudadano José
Sirviendo al Estado, un policía bueno
Muerto de hambre que se cree Charles Bronson
Él sabe lo que deseo, sabe lo que pienso
El día está lluvioso, el clima está tenso
Varios intentaron fugarse, también quiero
Pero de uno a cien, mis oportunidades son cero
¿Será...
...que Dios escuchó mi oración?
¿Será...
...que el juez aceptó mi apelación?
Manda un recado a mi hermano:
Si estuviera usando drogas estoy de mala leche con él
¿Todavía estará con aquella chica?
Digo que si, el tipo es buena onda
Me saqué un día a menos o un día a más
Yo que sé, da igual, los días son iguales
Prendo un cigarro veo al día pasar
Mato el tiempo para que él no me mate
Hombre es hombre, mujer es mujer
violador es diferente, ¿no?
Es golpeado en todo momento, se arrodilla y besa los pies
Y sangra hasta que muera en la calle 10
Cada preso una madre, una creencia
Cada crimen una sentencia
Cada sentencia un motivo, una historia de lágrima, sangre, vidas inglorias, abandono, miseria, odio, sufrimiento, desprecio, desilusión, acción del tiempo
Mezcle bien esa química, listo:
se hace un nuevo preso
Lamentos en el pasillo, en la celda, en el patio, alrededor del campo, en todos los rincones
Pero conozco el sistema, mi hermano,
aquí no hay santo
Ratatatá, necesito evitar
que un cretino haga a mi madre llorar
Mi palabra de honor me protege
Para vivir en el país de los pantalones beiges
Tic-tac, aun son nueve y cuarenta
El reloj en el penal va en cámara lenta
Ratatatá, un metro más va a pasar
Con gente buena, apresada, católica
Leyendo periódico, satisfecha, hipócrita
Con rabia por adentro, camino del centro
Mirando hacia acá, curiosos es lógico
No, no lo es. No es el zoológico
Mi vida no tanto valor
Como su celular, su computadora
Hoy, está difícil, no salió el sol
Hoy no hay visita, no hay fútbol
Algunos compañeros tienen la mente más débil
No soportan al tedio, encuentran peleas
Gracias a Dios y a la Virgen María
Faltan solo un año, tres meses y unos días
Hay una celda allá arriba cerrada
desde el martes nadie abre para nada
Solo el olor de muerte y pine sol
Un preso se ahorcó con las sábanas
¿Que pasó? Quién sabe no lo cuenta
Iba a tirar unos seis años enteros
Nada deja al hombre más enfermo
Que el abandono de los parientes
Entonces, chiquillo, ¿que me dices? ¿Qué quieres?
La plaza está acá, esperándote
coge todos tus artículos importados
tu currículum en el crimen y límpiate el rabo
la vida bandida no tiene futuro
tu cara se queda blanca de este lado del muro
¿Ya escuchaste sobre Lúcifer?
Que un día vino de los infiernos con moral
En Carandiru, no, él es solo uno más
Comiendo comida podrida y con neumonía
Hay mano de Osasco, de Jardim D'Abril
Parelheiros, Moji, Jardim Brasil Bela Vista, Jardim Ângela, Heliópolis Itapevi, Paraisópolis
Ladrón buena onda, tiene moral en la quebrada
Pero para el Estado es solo un número, nada más
Nueve pabellones, siete mil hombres
que cuestan trescientos reales por mes cada uno
en la última visita, un amigo vino
trajo Marlboro, Free
Contó que un cretino del área regresó
Con carro Kadett rojo, matrícula de Salvador
Haciéndose el importante, él insulta, él abusa
con una 9 milímetros bajo la camiseta
"Oye, díme y los manos, dónde están?
¿Te acuerdas del imbécil ese que trató de matarme?"
"Aquél puto es ganso, listillo cuerno manso
Se ponía loco y dejaba a su chica sola
La chica era virgen y aun era menor
Ahora hace chupadas a cambio de polvo"
"Ese tipo de charla me incomoda
Si estoy en la calle sería difícil aguantarme... "
"Si, el mundo da vueltas, él puede venir a parar acá... "
"NO, ya, ya, mi proceso está aquí
Quiero cambiar, quiero salir
Si le tumbo a este fulano, no habría modo alguno
tendría que firmar el 121"
(1)
Amaneció con Sol, dos de octubre
Todo funcionando, limpieza, jumbo
En la madrugada, sentí un escalofrío
No era del viento, no era del frío
Saldo de cuentas, hay casi todos los días
Iba a tener otro más, lo sabía
Lealtad es lo que todo encarcelado intenta
Para conseguir la paz de forma violenta
Si un sinvergüenza le hace algo a alguien
Lleva punto en la cara al igual que Franknstein
Humo en la ventana, prendieron fuego en la cama
Se jodió, fue más allá... se pã, hay rehén
La mayoría se dejó envolver
Por unos cinco o seis que no tienen nada a perder
Dos ladrones considerados pasaron a discutir
Pero no imaginaban lo que estaría por venir
Traficantes, homicidas, estelionatarios
Y una mayoría de niños reos primarios
Era la brecha que el sistema querría
Avise al Instituto Médico Legal, llegó el gran día
Dependo del sí o no de un solo hombre
Que prefiere ser neutro por el teléfono
Ratatatá caviar y champaña
Fleury (2) se fue a almorzar, que se joda mi mamá
Perros asesinos, gas lacrimógeno
Quién mata más ladrones gana medalla de premio
El ser humano es desechable en Brasil
Como toalla o papel higiénico
¿Cárcel? Claro que el sistema no quiso
Oculta lo que en la novela no se dijo
Ratatatá, sangre chorrea como agua
Del oído, de la boca y de la nariz
El Señor es mi pastor ...
perdone lo que hizo su hijo
Se murió de espaldas sobre el Salmo 23
Sin padre, sin reportero,
sin arma, sin socorro
Se le va meter VIH a la boca al perro
Cadáveres en el pozo, en el patio interno
Adolph Hitler sonríe en el infierno
El robocop del gobierno es frío, no siente pena
Solo odio y ríe como la hiena
Ratatatá, Fleury y su gang
Van a nadar en una piscina de sangre
¿Pero quién le va a creer a mi testimonio?
Día tres de octubre, diário de um detento

(1) Número del artículo penal brasileño que caracteriza asesinato volver
(2) Entonces gobernador de São Paulo volver

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